Domingo, Dezembro 09, 2007

Preenchendo Vazios

Fim de ano e lá vou eu querendo sair da mesmice. Acontece, eu sei e é o que eu sempre digo. a vida deu umas reviravoltas e junto dela meu estômago... agora, só um novo, mas Rute tem cuidado disso muito bem.
Existem um zilhão de planos, sei que a metade deles já saiu do papel, mas não concluiu, a outra metade está querendo sair, mas anda meio tímida ou esperando a oportunidade certa - o que pode ser até muito bom para um idéia - o importante é que eles existem, o que mostra que a vida está sempre se modificando e se refazendo e nisso continuando sendo a mesma e sendo outra, o que, no geral, é bem legal!
Há muitos planos para esse blog e seu escritor. Gosto quando as coisas são planos, pois na minha cabeça parecem quase concretizados. O chato é que ultimamente algumas coisas estão só se concretizando na minha porção referente ao mundo das idéias de Platão e isso me desagrada... Mas sou um cara esperançoso e eu sei que um dia tudo se resolve...
...
Não é?

Sábado, Novembro 24, 2007

Juntos

Há algum tempo estavam juntos. Apesar de algumas dificuldades e contra-tempos para ficarem juntos, o sentimento ente os dois conseguiu mantê-los unidos. De certa forma não havia só paixão ou tesão entre eles dois. Existia algo mais que vez ou outra era verbalizado, transformado em palavras e quando não, percebia-se nos olhares que trocavam. Uma vez ela chegou a desconfiar que era obsceno a forma como ficavam juntos tendo em vista tamanho carinho e desejo que trasbordava daqueles toques e olhares. Ele sabia que não era só isso, mas entendia o que ela falava.

Aquele tinha sido um dia meio cansativo e com certeza tudo o que ele queria era voltar correndo para casa e tomar um banho bem demorado, comer alguma coisa e cochilar por meia hora e então descobrir que tinha forças o bastante para acordar e chamá-la para sair. No entanto, quando ela olhou para ele e pediu para ajudá-la a arrumar o quarto e todas as coisas dela, ele não viu como recusar. Alguma coisa o dizia que deveria fazer isso e decidiu ficar, apesar de achar que de muito não valeria sua contribuição.

Tudo começou com alguns livros separados e muita poeira pelos lados. ela sabia o quanto ele era alérgico a tudo isso, então pediu somente para que ele separasse o lixo do que era aproveitável e daquilo que ela realmente queria. Um trabalho simples de organização o qual ele era acostumado. Deixaram os livros de lado e partiram para as pastas, onde haviam todos os paéis da vida dela e milhares de coisas que mostravam o passado antes dele aparecer. Por um instante ele se viu distante dela, entre cartas de ex-namorados e histórias que não cabia a ele saber - pelo menos não agora. Um incômodo subiu a sua cabeça e apertou-o o coração. Ele estava com ela e pela primeira vez sentia-se só. A sensação não era das melhores.

Por respeito a seus sentimentos e ao fato de ter se apaixonado pela liberdade que existia além da respiração dela, ele controlou seus sentimentos e calou-se enquanto continuava seu trabalho de separar o "joio do trigo". Então ela começou a sorrir e gargalhar e a soltar interjeições lendo os papéis sem uma identificação direta para ele. Ela sorria e seu sorriso era leve e doce, renovador. Então, ele entendeu.

Ele estava ali em meio aos papéis e fotos e cartas e presentes que eram o passado dela. Ela via tudo aquilo e sorria mostrando que existiam lembranças e coisas demais e que ela não tinha medo ou vergonha de tê-lo ao lado enquanto ela mesma separava aquilo que ficava e aquilo que ocupava lugar demais em suas memórias. Ela estava se renovando, fechando um ciclo e começando outro. Ela estava fazendo tudo isso e ele estava ali acompanhando. Não porque ele pedira, mas porque ela queria. Então ele percebeu que queria também e que tudo era mágico e único e importante e que de alguma forma ele fazia parte disso.

Agora, ele mesmo sorria e se sentia feliz por estar com ela e por ela tê-lo permitido isso. Ficou a dez passos dela e a fitou. Ela retornou o olhar meio surpresa e sem entender o porquê daquilo. Ele só sorriu e disse que a amava. Era o bastante naquele momento.

Elas e Eu - No Ônibus

Ela: Que foi?

Ele: Tô meio sonolento...

Ela: Tadinho.

Ele: Conta uma história...

Ela: Mas eu não sei contar história.

Ele: Sabe sim. Todo mundo sabe.

Ela: Mas eu não conheço nenhuma.

Ele: Então inventa.

Ela: Ok - sorrindo - Era uma vez uma gatinha e um gatinho. O gatinho teimava em dizer que era uma raposa e não um gato. A gatinha, por sua vez, tentava de várias maneiras dizer que ele não era raposa que ele era um gato e passava o dia a falar: "Você é um gato. Você é um gato" e o gato respondia: "Você está errada. Eu sou uma raposa". Até o dia em que a gatinha levou o gatinho para a beira de um rio. Lá, ela mostrou a imagem dos dois refletidas na água e falou: "Viu? Você é um gato assim como eu!". O gatinho olhou e respondeu: "Não. Você está errada. Eu não sou um gato, você que é uma raposa igual a mim". Sem saber o que fazer ou dizer a gatinha - agora raposa? - cansou de tentar convencer o gato e acabou por casar com ele e eles tiveram muitas raposinhas filhotes.

Ele: E eles foram felizes para sempre?

Ela: Bem, aí é outra história...

Adoro a magia dos relacionamentos.

Domingo, Novembro 18, 2007

Do Fundo do Baú - Liana

- Liaaaaanaaaaaa!!! Correio!

Liana foi até a sala correndo nas pontas dos pés. Pegou a carta em cima da mesa, voltou para o quarto e trancou a porta. Seu coração bateu mais forte ao ver o remetente: seu irmão. Abriu com um cuidado paradoxal a sua empolgação o envelope já amassado demais pela viagem. O selo da marinha estava gravado nele.

Por cinco vezes leu a carta. Trivialidades. Piadas bobas sobre a rotina nos mares, algum livro novo que começara a ler – que não terminaria, com certeza – os companheiros de viagem. Liana decepcionou-se um pouco, a carta terminava com um “à flor mais bela de meu jardim”, nada mais. Impaciente olhou novamente o envelope e descobriu um pequeno cartão, possivelmente menor que um de visitas. Lá, escrito em letras garranchosas que tentava parecer legíveis – um esforço quase vão –, estava:

“Quando meus braços cobrirem teu corpo e tua alma finalmente roubar meu sopro de vida, nenhum oceano será grande o bastante para me separar de ti”

Aquilo a fez corar. Mesmo sabendo que aquele texto não era dele. Por instinto, olhou as costas do bilhete e encontrou outra frase:
“- Vês? Não tremo!” A.A.

Caiu sentada na cama e devagar foi deslizando o resto do corpo até estar no chão. A ousadia do irmão a deixara nervosa antes, mas sempre feliz e excitada. Fechou os olhos, agora cheios d’água.

Chovia. Relâmpagos clareavam o céu negro enquanto trovões a faziam tremer entre as cobertas. Em um impulso, misto de medo e desespero, quase pânico, deu um salto e foi correndo chorando até a cama do irmão. Este, dormindo pesadamente, acordou meio desnorteado e surpreendeu-se ao ver a pequena menina de olhos negros brilhantes chorando ao pé de sua cama, toda encolhida.

- Posso dormir com você?

O pedido soou mais como uma afirmação e ele a aconchegou em seus braços e falou baixinho no ouvido dela:

- Você já é uma mocinha, já tem dezesseis anos. Não pode ter medo de tempestades, viu?

O tom quase paterno, bem como sua respiração quente naquela noite tão fria a enrubesceu e relaxou. E mesmo sem resposta ele a abraçou e deitou-se com ela. Em segundos, Liana esqueceu a chuva lá fora. O suor fazia a pele de Liana colar na do irmão. Os braços fortes dele a apertavam de forma protetora. A respiração de Afonso ao seu pescoço a arrepiava. Com certeza ele já estava dormindo.

Liana sentiu uma força pressionar suas ancas. “Afonso dorme sem cuecas”. Ela aconchegou-se mais ao corpo dele. O membro enrijecido era bem maior que imaginara. Devagar colocou a mão dentro do calção de Afonso. Aos poucos foi apertando o sexo do rapaz. O irmão se mexeu e, aproveitando-se da posição favorável, Liana pôs o pênis para fora do calção. Divertiu-se um pouco com a fina pele que o cobria fazendo-a subir e descer. Às vezes Afonso dava um pequeno espasmo e apertava a cocha da irmã. A menina tremia.

Liana tirou a calcinha e levantou a camisola. Levou as mãos de Afonso até seu sexo. Os grossos e longos dedos a acariciaram de maneira tão maravilhosa que Liana se negava a acreditar que o irmão estava dormindo. Em um impulso ela beijou sua boca e imediatamente sentiu a mais deliciosa penetração que poderia sentir em toda sua vida. Não saberia dizer quantos orgasmos tivera aquela noite, mas lembra de ter de esconder da mãe as marcas de unhas e mordidas que deixara em Afonso também nunca esqueceria do doce sorriso dele quando acordaram. Foi aquele sorriso que a fizera se apaixonar, não a noite.

À tarde teve de dispensar o namoradinho.

- Mas, Liana... Porque faz isso?
- A gente não combina, Júnior. Somos pessoas diferentes.

Ele ainda tentou dar-lhe um beijo, um carinho. Não funcionou. O sabor de Afonso já estava impregnado na alma dela.

Irmão e irmã eram frequentemente vistos juntos. Festas, cinema, amigos. Algumas pessoas vieram dar conselhos para a mãe dos garotos. Muitos amigos e vizinhos nunca deixaram de visitá-los.

- Vejam só! Que povo doido, maldoso! – berrava a mãe por toda a casa.
- Ligue não, mãe. – dizia Afonso – Isso é inveja, pois a gente não fica se matando que nem os filhos deles.

Às vezes a mãe chorava – não sabia se de desgosto ou desconfiança – e ia curar as dores em bebidas de vinho com dona Joaquina, amiga velha de guerra.

- Ôôô, Joaquina! Eu sozinha cuidei desses meninos. Sozinha! Sozinha! Cê sabe. Os dois saíram de dentro de mim, não de outro! São de ouro! Unidos, amigos! E o povo fica falando mau... – desabafava.

- Ligue não, cumade! – consolava a amiga – Isso tudo é inveja.

Enquanto sozinha com o irmão, no entanto, Liana vivia um sonho. Tocavam-se, beijavam-se, faziam amor. Ela sentia mais desejo por Afonso e ele, macho e cavalheiro, realizava os pedidos da irmã. Surpreendiam-se no banheiro, usavam a cama dele e depois a dela. Liana gostava de sentir a língua de Afonso roçando seu céu da boca, enquanto ela o encaixava em seu corpo. As mãos deles fazendo cócegas. Épocas felizes.

Agora ele estava na marinha. Quase nunca estava em casa. Ela arrumou um outro namoradinho. Rapaz recatado, sincero, gentil e inteligente. Sem a virilidade de Afonso, mas isso não importa. Ao menos as pessoas não falavam e a mãe não tinha raiva. Tudo vai bem, mesmo em quando ela estava no chão, chorando, abraçada com a carta do irmão. Faria o tipo boa moça... Pelo menos até Afonso voltar...

Domingo, Novembro 04, 2007

Cartas para K.C.

“Amor,

“Já estamos distantes a tempo demais e muita coisa aconteceu conosco para chegarmos aqui. Mas eu sei que você ainda tem dúvidas e as respeito como respeito a queda de uma folha no outono – e você sabe como gosto dessa estação. Enfim, estar com você e ter esse retorno no teus sentimentos é mais do que eu possa querer ou imaginar para mim...

“É ir dormir todo dia esperando que o próximo seja diferente, com um outro mundo e outras gentes. É poder explicar como se sente, ou melhor, querer explicar como se sente, mas sem palavras, e conseguir.

“De uma maneira trágica – e você sabe o quanto sou trágico e porque não dizer mesmo egoísta – é esperar que uma doença avassaladora apareça e descobrir que só restam alguns curtos domingos de vida e jogar toda a responsabilidade pro alto e aproveitar a vida, bem como esperar que quem mais se ama veja a situação de felicidade frente ao inevitável e permita engolir o orgulho e voltar chorando para aqueles braços durante um sorriso, imaginando-se que nunca a vida se fez tão presente.

“É saber que não existe Deus ou Diabo ou nenhum segredo profundo ou universal para descobrir e que toda essa busca pelo conhecimento e essa inquietação que o espírito possui pode se resumir e desaparecer em um almoço com a família, um cinema com os amigos, um toque dado pela pessoa amada pela manhã acompanhado de um olhar que avisa que ela quer fazer amor de novo, ou uma viagem cujas únicas companheiras são uma máquina de escrever e a vontade de conhecer as pessoas deste mundo doido e imenso – nada de futilidades com parece, meu amor, mas um conjunto de coisas simples que nos colocam em uma vida mais nossa e plena, ao lado daqueles que, você sabe bem, tanto amamos.

“É andar pelas ruas rindo, conversando com pessoas que não se conhece, mas que riem junto e quando o pensamento de desejo por quem se ama surge, de repente, ela aparece na esquina e abre aquele delicioso abraço e antes de correr para agarrá-la, olha para cima e vê que a beleza do céu trás a bênção que se precisa para tornar esse momento o mais próximo da perfeição – que por sua vez não queremos realmente, por isso só uma proximidade.

“É sentir o sono pequenino em cima do peito e dar-se conta que é um pedaço de si que encontrou naquele colo a segurança que precisava. É ter certeza de que se pode dar essa segurança.

“É acordar todo dia sem obrigação de trabalhar ou estudar, sem ter de manter aquela figura e postura tão pouco natural que por vezes o mundo te exige, pois não pelas vitórias, derrotas, troféus, diplomas, experiências, pele, mas pela força que você passa ao apertar as mãos e pela candura e confiança que teus olhos não temem em demonstrar que não se deve desistir.

“É chegar a um momento em que não se precisa ser razão por inteiro – pois já se é – nem sentimento à flor da pele – pois já os têm além do físico – nem ser busca – há muito a procura terminou, agora só existe aprendizado e colheita – nem certeza, nem dúvida. Só ser – assim como somos – Não importa o que – pois só a nós importa o que já sabemos.

“Sinto sua falta.”

B.D.

Domingo, Outubro 28, 2007

Do Fundo do Baú - Roberta

“Desculpa, amor. Mas a verdade é que você gosta de mim e eu gosto de outro cara”. Roberta leu estarrecida o bilhete. Era em vão que tentava controlar o choro. Todo o papel e a saia já estavam completamente molhados de suas lágrimas. Era inútil fingir ou se martirizar até mesmo se enfurecer, mas enfiar a tesoura no sofá, rasgá-lo e jogar a coleção da Nana Caymmi de Alfredo pela janela ajudou um bocado.

“Aquele viado” – repetia – “Viado, baitola...” – gritava. Acabava por assustar os vizinhos ao discutir aos berros com a síndica que havia ligado para saber o porquê de tantos palavrões.

“Há crianças nos apartamentos vizinhos, dona Roberta” – dizia a síndica, calma e compreensiva.

“Que se fodam! Devem falar mais merda do que eu!” – e batia o telefone.

Ligações para uma porção de amigos. Lixo. Só “Vai passar”, “Ele não prestava”, “Mulher, Roberta! Não acredito. Ele não tinha jeito”, “Sempre soube, sempre desconfiei”. Amigos não servem pra essas horas. Para que servem mesmo?

Ao final de sete dias, Roberta já tinha afogado as mágoas nos potes de sorvete, caixas de chocolate, comédias românticas e esperanças ridículas. Quase não saiu de casa. Faltou ao trabalho sem uma justificativa plausível. Sabia que ia dar problema, mas por que se importar agora? A vida já está uma merda mesmo. Só restava a tristeza, fria e apertada.

Roberta estava neste estágio de dor quieta quando ouviu um bater na porta. Foi até lá e abriu. Uma colega de trabalho, mas de um setor diferente do dela. Não lembra de terem se falado muito. Como ela sabia seu endereço?

Entrou, sentou, aceitou o chá. Perguntou como estava e sem mais perguntas. Olhou os CDs, DVDs, vídeos, algumas fotos, falou da decoração da casa. Uma pessoa divertida e agradável, uma mulher bonita também. Parecia que deu pela falta de Roberta e resolveu ser gentil.

Tinha o primeiro dia bom após o abandono que nem notou o beijo vindo. E estava tão para baixo e tão carente de carinho que seu sexo permitiu as carícias das hábeis mãos que já estavam na calcinha e pouco tempo depois a língua úmida e morna que a visitava.

Com certeza foi culpa da exaustão e da tristeza que se deixou dominar tão facilmente por aquela mulher bela e alta de longos cabelos negros e lisos. A mesma exaustão foi a responsável pelo prazer intenso com carinhos simples como cócegas e beijos na nuca, nas costas, na bunda, na barriga. Claro que Roberta ainda estava muito fraca, muito frágil, muito triste, muito abalada e isso pode ter causado seu gozo, êxtase, sono após o sexo e o encanto de ter sua cabeça entre aqueles lindos seios.

No outro dia a colega já não estava mais lá, só Roberta nua entre os lençóis. Não foi trabalhar de novo, talvez peça demissão. Na sua cabeça “Como ela sabia o endereço?”, pergunta melhor, “Qual o nome dela?”

Fundo do Baú!

Ganhei uma escrivaninha. Na verdade ela era da minha tia-madrinha e há anos que eu pedia desesperadamente para tê-la. Anos de lamúrias e chantagem emocional finalmente funcionaram e a escrivaninha é minha. Estou feliz, muito feliz.
Bem, mas este post não é sobre isso... Arrumando minhas coisas para pôr na bendita escrivaninha nova, achei uma porção de textos antigos: contos, poesias e crônicas. Aproveitando meu dado instante de não-inspiração, resolvi revisar alguns deles e publicá-los aqui na Aba, por isso peço ajuda aos meus leitores: comentem meus textos antigos e vejam se são realmentes bons ou não. Isso é muito importante pra mim e sei que posso contar com vocês.
Beijos

Sábado, Setembro 29, 2007

Doenças e Pensamentos

Quando se passa por uma gripe forte, um sério problema estomacal e se chega na segunda gripe – que, diga-se de passagem, vem acompanhada de uma crise de garganta daquelas – você começa a ser um pouco paranóico. Acha que forças místicas estão colocando os dedões malignos delas no seu c* e rodando da pior maneira possível.

Tenho pensado sobre isso esses dias e só cheguei a duas conclusões: alguma coisa em minhas doenças afetou minha caxola e eu já to pensando besteira demais, ou eu to jogando tanto RPG que minha sanidade começa a ir embora... A verdade é que não importa muito lá o que acontece de verdade, a paranóia me fez olha mais pra minha vida e isso é bacana. De repente comecei a não mais me ver como o cara que vive o momento, mas alguém pertencente a uma conjuntura maior e, diga-se de passagem, levemente caótica para minha total e completa loucura.

Enfim, falando sobre este que vos escreve e que agora olhou mais pra si mesmo: faltam umas 14 disciplinas para terminar meu curso de Letras e isso tem me deixado meio fulo da vida, pois prova não só que eu estou consideravelmente atrasado, mas que possivelmente eu fui mais que negligente em minha vida universitária e agora tenho que correr atrás do tempo perdido. Pra piorar, assistir aula pra mim é o pior purgante que alguém poderia me dar...

Voltei a trabalhar e aparentemente isso tem sido bom, mas vendo bem eu só pego emprego fuleiro: acabo sempre trabalhando demais porque não quero deixar os alunos sem assistência, mas ganho pouco, o que não ajuda muito. Pra variar meu cartão tá mais que estourado e seu eu não me cuidar a Credicard vem aqui na minha casa bater na porta e pedindo pr’eu pagar nem que seja com meu corpo, o que, convenhamos, não estou muito a fim de fazer... Possivelmente minhas contas vão piorar, já que as lojas Americanas já estão vendendo o terceiro – e espero que último – filme do Homem-Aranha, e como fã não posso deixar de comprar.

Falando em coisas que eu quero comprar, mas ando sem grana e possivelmente não vou comprar, a Panini tem soltado vários encadernados Marvel comemorando os 40 anos da editora americana em terras brasilis. Assim, estórias clássicas do Cabeça-de-teia, do Quarteto, Vingadores e X-Men estão nas lojas deixando fãs clássicos como eu com os cabelos em pé, fora coisas que nunca vi antes no Brasil, como o encadernado com as tiras do Aranha escritas por Stan Lee – livro para colecionador nenhum botar defeito – e as primeiras histórias do Monstro do Pântano – dessa vez pela Pixel Magazine. E falando em Pixel, a editora das estórias desordenadas e cronologias bagunçadas, os caras resolveram lançar o primeiro volume de Spawn, a única coisa que sobrevive na Image – por sinal, essa editora ainda existe? Como ela anda no mercado americano? O que eles estão lançando? Quem souber de alguma coisa me fala, por favor – e a nova fase do demônio de Macfarlane que sobrevive mais pelos amigos do cara que pelo enredo mesmo – afinal, como ficou a saga do Simmons depois que ele matou o Maleobógia junto da Ângela? Os que souberem me avisem isso também, please – e isso é só uma ponta do iceberg de quadrinhos que tem saído aqui no Brasil. Até Bleach eu já vi, o que tem me dado prova de como os mangas, animes e funssubers têm ajudado a disseminar a cultura nipônica desse lado do Atlântico, mas que o leitor brasileiro ainda é burro, porque não consegue fazer quadrinhos europeus viverem por muito tempo aqui – tira-se por Dylan Dog, um dos melhores quadrinhos do Velho Mundo que aportou aqui, mas só sobreviveu por meio de aparelhos e rezas de alguns poucos fãs. E, pra completar, não mais falando de quadrinhos, mas de RPG, Reinos de Ferro está aí e eu estou sem dinheiro aqui. Isso é uma p****!

Bem, já falei de cultura underground demais. Falando de amigos, a vida anda muito bem, mas com algumas faltas. Tenho sentido saudade de amiga Ivana e nossas longas conversas – ó, Ivy, inunde minha mente com vossa sabedoria – o que quase me faz desejar voltar a trabalhar no interior só para vê-la – mas ela está no Prolin, então acho que eu tenho que ir pra lá. Também sinto falta da Yara e seus irmãos, eles animavam meus dias com um jeito de ser muito próprios, uma união fraterna incomum pra mim e que eu admirava pra caramba. O Ed criou vergonha e pediu a menina em casamento, fato que me trouxe muita felicidade e eu gostaria de vê-los com uma certa regularidade, mas não tenho feito – o que me faz pensar que talvez eu mesmo tenha criado essa distância e não fui atrás de resolvê-la, de qualquer jeito, Holandas, Ed, tudo de bom pra vocês. Espero que a gente se veja numa encruzilhada dessas da vida.

Lu Santos também não é uma pessoa tão constante em minha vida atualmente e eu sinto falta de saber como a garota está. Amiga Rute, sempre presente e constante, tem me passado notícias de minha ruivinha e essas estão sendo boas, o que me causa felicidade, já que a Lu passou por muita coisa chata e tudo o que ela merece é uns dias de paz nesse momento. Então, Lu, caso elia isso, não parei de zelar por você em minhas orações. Felicidades sempre, garota!

Amigo Bruno L. também anda um pouco longe, já que ele tá quase se formando na UECE, mas a gente continua em mesas de RPG e novamente estamos como jogadores na mesma mesa, uma coisa que eu queria faz tempo. O projeto de D&D do M.A.C.O.D. também tem feito a gente se ver com uma certa regularidade e é legal estar empolgado com Ishmael e Faerûn de novo, agradeço Bubu pela possibilidade.

Falando em “Brunos”, faz um tempo que não visito família Rosado e isso tem me deixado um pouco impaciente. Sinto saudades daquele pessoal, mas minhas doenças constantes e as provas do Bruno R. não dão tempo para uma visita mais longa, de qualquer forma eles estiveram aqui no aniversário do Renan e isso foi legal. E puxando o assunto Bruno R., uma galera do 2º Ano tem procurado pela gente de novo: Kamila, Nathália Bouth, Jardel... Sinto como se estivesse com 30 anos e as pessoas começam a querer ver como está a vida umas das outras. Muito doido esses sentimentos.

Por falar em pessoas distantes, finalmente, depois de quase dois meses, a Luciana Frutuoso me ligou. Sempre falo que um tempo longe da Lu faz um bem e um mal danado, pois se ela não liga eu imagino que tudo vai bem – notícia ruim sempre chega primeiro –, mas se ela não liga eu fico pensando se as coisas vão realmente bem ou ela não quer me contar. Enfim, no final sempre tem saudade que aumenta e diminui quando há ligação dela. Fazer o que?

E umas pessoas têm me feito uma ou outra pergunta sobre coração – pra ser direto: Rute, Fred, Monique e Riane, a namorada do Fred – bem, revelando as cartas, ando numa situação complicada – só pra variar – com uma pessoa, mas a gente têm se dado muito bem e eu realmente ando feliz com aquilo que temos vivido. É o tipo de relacionamento que eu tenho descoberto que adoro viver, apesar de seus pontos negativos, e que tem sido gostoso e divertido na medida certa. De uma forma bem única, eu descobri que possuo muitas neuras e ela – e nós – com seus sentimentos, tem feito eu resolver boa parte delas. Bem, mas não vou dizer quem é essa pessoa, por uma questão de puro egoísmo: o que a gente está vivendo é muito único e pessoal e eu espero viver isso só entre a gente, não dividir com ninguém mais. Basta dizer, e eu sei que muitos dos meus amigos vão entender isso, ela é MUITO parecida comigo, em vários aspectos – até mesmo naqueles que a cabeça suja de vocês está pensando.

Pra finalizar, aqui em casa tudo tem ido bem. Acho que me acostumei à letargia que minha família vive, mas eu tenho meus próprios planos para resolver isso. Meu irmão ainda acha que eu sou um egoísta, e eu adoro isso. Meus primos estão cada vez mais próximos e isso é muito legal. Meus pais estão na de sempre deles e eu desisti de tentar achar uma solução para um caso que nem meu não é – eu e minhas coisas. Só acho chato quando a casa fica abarrotada de gente – tem dias em que eu fico impaciente com isso – mas eu tenho aprendido que isso também pode ser legal.

Minha casa e meu corpo andam com um cheiro diferente e a mudança tem feito tanto barulho quanto um caracol andando. As coisas parecem estar rumando para algum lugar e eu sei que, apesar de todas as pedras – sejam elas drummonianas ou não –, tudo vai bem. Afinal, não sou o tipo de cara que não encontra razões para se sentir feliz, pelo contrário, todo dia é razão para sorrir e aproveitar a vida.

Mesmo com doenças constantes.

Sábado, Setembro 15, 2007

Dias e Dias

Passei a semana passada toda doente. Odeio isso. Muito. A sensação de fraqueza e impossibilidades mostra meus piores lados. Eu fico arredio, ignorante, chato. Nem eu me suporto direito. Falto às coisas e todas as vezes que digo que estou doente soa como uma desculpa esfarrapada pra mim e tudo parece muito pior. Odeio ter uma visão negativa das coisas, mas ficar doente me deixa assim. Graças a Deus estou melhor.
O engraçado é que a doneça me fez atinar pra umas coisas e desde a metade dela pra cá sei que minha postura - completamente pessoal e intransferível - mudou com relação a algumas coisas. Eu não conseguia pensar enquanto doente, mas quando comecei a melhorar parecia que meu cérebro estava funcionando no stand by e voltou como todas as planilhas resolvidas, bastava eu descompactar os arquivos.
Vocês já viveram algo assim? Tudo parece tão novo e diferente pra mim...
Poucos podem notar minhas mudanças, elas são bem mais profundas que a superficialidade das faces que colocamos no dia-a-dia, mesmo assim é bem evidente pelos detalhes que escapam dos modismos e aparências rotineiras. Sinto que alguns detalhes fazem sentido, algumas pessoas vão se machucar com isso, mas eu sei que posso resolver e superar a situação.
Pareço confuso? Talvez eu esteja. Resultado da doença e da falta de inspiração pra um texto decente. Estou, em termos de escrita, completamente brocha...
Enfim, dia vai e dia vem e a gente vai caminhando. Sinto falta de meus leitores e sei que ando negligente com eles. Próxima semana eu espero trazer algo melhor, é só ele surgir...